Quando o formato também faz parte da estratégia

Como os novos hábitos de consumo estão transformando a criação e a distribuição de conteúdo digital.

Essa é uma das discussões que estão movimentando o mercado audiovisual e que também merece a atenção de quem trabalha com marketing e comunicação em geral.

Nos últimos anos, o TikTok impulsionou uma nova forma de consumir conteúdo: vídeos curtos, dinâmicos e fáceis de assistir pelo celular. O sucesso da plataforma incentivou outras redes sociais a investir em formatos semelhantes, como os Reels, do Instagram, e os Shorts, do YouTube. Mas o que isso tem a ver com uma animação da Disney prevista para chegar aos cinemas em novembro de 2026?

Recentemente, um debate chamou a atenção do mercado: será que a Disney produziu um filme inteiro pensando nos enquadramentos verticais das redes sociais? A discussão surgiu após a divulgação do trailer de Enfeitiçadas (Hexed), que levantou questionamentos sobre como as escolhas visuais das grandes produções podem dialogar com os novos hábitos de consumo.

Os primeiros trailers da animação chamaram a atenção de espectadores por um motivo específico: o enquadramento centralizado de diversas cenas. Essa composição facilita possíveis adaptações para o formato vertical (9:16), utilizado em plataformas digitais, preservando os principais elementos visuais mesmo após o corte.

Embora essa característica tenha levantado suspeitas sobre uma possível estratégia, os diretores negaram que o enquadramento tenha sido pensado especificamente para esse propósito. Ainda assim, a repercussão trouxe uma questão importante para o mercado: até que ponto os hábitos de consumo do público influenciam as decisões criativas?

A discussão vai além das escolhas visuais de uma animação. Ela reflete uma transformação na maneira como os conteúdos são planejados, produzidos e distribuídos em um cenário cada vez mais conectado às plataformas digitais.

Em entrevista sobre o filme, o co-diretor Jason Hand comentou as possibilidades criativas relacionadas à percepção visual e à construção dos ambientes da história:

“Estamos fazendo muitas coisas interessantes com a percepção do mundo sob a perspectiva do aspecto visual.”
— Jason Hand, co-diretor de Enfeitiçadas (Hexed)

A declaração reforça a importância das escolhas visuais na construção de uma narrativa, mas não confirma que a produção tenha sido planejada para facilitar cortes verticais.

Jogada de mestre
Ainda assim, pensar na distribuição desde o início pode trazer benefícios concretos.
Projetar produções com foco na facilidade de corte reduz custos de adaptação e acelera o alcance orgânico onde o público realmente está.
Na era digital, essa propagação vale ouro!

E o que o mercado de marketing tem a ver com isso?
Tudo! Quando o maior estúdio de entretenimento do mundo desenha uma produção pensando no celular, fica claro que a distribuição não é o último passo da criação, mas o ponto de partida.
Para as marcas, isso significa olhar para o próprio processo criativo e considerar como uma mensagem pode funcionar em diferentes canais. Uma campanha pode prever formatos
específicos para cada plataforma, explorar diferentes enquadramentos e desdobrar uma ideia em conteúdos complementares, sem perder a identidade e a coerência da comunicação.
Mas essa flexibilidade não significa produzir tudo na vertical ou seguir cada novidade das redes sociais. O importante é entender o comportamento do público, os objetivos da marca
e as particularidades de cada canal para tomar a melhor decisão estratégica

A próxima tendência é pensar além
Na Fluxxo, acreditamos que uma comunicação relevante começa com estratégia e ganha força quando criatividade e execução caminham juntas. Conheça nossas soluções de marketing digital e descubra como desenvolver estratégias para a sua marca ganhar destaque.

Por: Carina Buannafina e Rebeca Castelo Branco

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