Bonito, rápido, e fácil de esquecer.

O que o mercado está aprendendo sobre construção de marca em tempos de IA

Bem-vindo à era das campanhas tecnicamente perfeitas, mas que não ficam na memória!

A comunicação vive um dos momentos mais ágeis da história, a inteligência artificial acelerou processos, ampliou a capacidade de produção e elevou o nível técnico das campanhas. Hoje, criar peças rápidas e escaláveis virou padrão em muitos mercados.

Esse avanço trouxe ganhos claros, mas, ao mesmo tempo, criou um novo desafio: quando a perfeição técnica vira regra, muitas marcas começam a se parecer e a diferenciação perde força.

Sabe aquela sensação de ver algo super bem produzido mas que não te diz nada? Pois é… A tecnologia elevou o nível da execução, mas acabou criando um padrão visual onde a repetição constante acaba deixando de lado a singularidade da marca.

O que o mercado está dizendo

Algumas marcas sentiram esse gelo do público na pele, como foi o caso da Coca-Cola que apostou forte no Natal com IA e o pessoal não perdoou. Faltou aquele calor e a nostalgia que a gente sempre espera da marca nessa época, porque o técnico estava lá, mas o sentimento que faz os olhos brilharem, não.

A H&M e a Guess também bateram no mesmo muro ao trocar modelos reais por versões virtuais e a reação foi imediata com falta de identificação e queda no engajamento. O erro não foi a tecnologia em si, mas colocar robôs justamente onde as pessoas buscam conexão e identificação.

A valorização do que parece mais real

Enquanto algumas grandes marcas enfrentam esse tipo de reação, cresce o espaço para conteúdos mais simples, bastidores, gravações menos polidas e linguagens mais diretas. Produções que mostram processo, erros naturais e pessoas reais tendem a gerar mais identificação, justamente por parecerem mais próximas da vida real.

Esse movimento não representa uma rejeição à tecnologia, ele aponta para uma busca por confiança. Quanto mais automatizada e genérica uma comunicação parece, maior a chance de o público sentir distância e quando existe traço humano claro, a percepção muda.

IA é ajuda, não decisão final

No marketing de hoje a IA é fundamental para organizar o caos dos dados e fazer o operacional voar. O cuidado está em como e onde ela é usada, pois quando a IA passa a ocupar espaços de decisão estratégica, especialmente em pontos onde contexto cultural, sensibilidade e leitura de comportamento são determinantes, a comunicação pode perder profundidade, mesmo mantendo alto nível técnico.

Marcas continuam sendo construídas a partir de escolhas bem feitas, não apenas de execuções rápidas. Automatizar processos é importante, mas preservar o olhar humano onde a marca constrói relação é o que sustenta valor no longo prazo.

O ajuste de rota

O mercado não está dando um passo atrás, mas sim aprendendo a ter mais critério com o desafio de equilibrar a máquina fazendo o que ela faz de melhor para que a gente tenha tempo de criar vínculos reais. No fim das contas, o que diferencia uma marca não é o prompt que ela usou, mas o significado que ela constrói na vida das pessoas.

É desse jeito, olhando além do óbvio, que a gente continua entregando marketing além do trivial!

Por: Carina Buannafina

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